segunda-feira, 23 de maio de 2016

O custo ambiental da produção de carne nos dias de hoje




        O alerta da Organização Mundial de Saúde sobre o malefício da carne em seu consumo excessivo para o risco de contrair câncer, além de fazer as pessoas repensarem sobre hábitos diários, nos fez relembrar que a questão do consumo da carne não afeta somente a saúde das pessoas como também prejudica o meio ambiente em escala global, porque praticamente todo o mundo consome carne, ainda que uns mais (bem mais) que outros.
        O El País deixa claro em sua matéria sobre a Era da Carne: “são necessários 1.500 litros para produzir um quilo de milho, 15.000 para um quilo de carne de vaca”. A superfície ocupada pelas pastagens é tamanha, e sempre é tida baseada no desmatamento de florestas ­- 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta se devem à expansão da pecuária segundo a Conservation International -  e queimadas constantes, que emitem dióxido de carbono para a atmosfera, além de outras consequências (extinção de espécies, limitação do hábitat das que sobrevivem, etc). Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, 78% do desmatamento da Amazônia Brasileira se deve à pecuária.
         Além das queimadas e do desmatamento, a pecuária acarreta a erosão do solo, assoreamento dos recursos hídricos e sua contaminação com pesticidas (mercúrio, fósforo, cloro, chumbo, arsênico e outros) e dejetos provenientes dos hormônios, vacinas, antibióticos, fungicidas, bactericidas e outros fármacos. Sem falar na desertificação, extinção de espécies, chuva ácida e gases estufa (os gases liberados pela flatulência do gado tem grande responsabilidade no efeito estufa, por exemplo).
         O professor de ecologia da Universidade Autônoma de Barcelona, Raúl García, afirma que a contaminação por purinas (resíduos líquidos formado pela urina e fezes dos animais) tem graves consequências para o solo e para as aguas subterrâneas.
        O estudo da FAO aponta que 37% do gás metano (que é 23 vezes mais poluente que o CO2) provém da pecuária, e aí entra todo o processo digestivo dos bovinos; 65% do óxido nitroso NO2 (gases provenientes do esterco) é gerado pela pecuária, sendo que esse gás é 296 vezes mais nocivo que o CO2; e 64% da amônia, que contribui para a chuva ácida e acidificação dos ecossistemas, provém da pecuária.
        Em 2006, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO divulgou um relatório com mais de 400 páginas, intitulado A Grande Sombra dos Estoques Vivos, que aponta a pecuária como responsável por 18% dos gases estufas, superando os 13% gerados pela queima de combustíveis fósseis. No entanto, pouco vemos a grande mídia falar disso e a maior parte dos documentários referentes às mudanças climáticas e ao aquecimento global insiste em apenas mostrar cenas de chaminés saindo das fábricas e da grande circulação de automóveis nos grandes centros urbanos, justamente por ser o hábito de comer carne tão arraigado à nossa sociedade, que talvez as pessoas não imaginem os riscos vinculados a isso e seja mais fácil culpar fábricas e automóveis como poluentes, em vez de tentar uma conscientização em massa e uma saída da zona de conforto que a curto e longo prazo será benéfica à nossa saúde, e principalmente ao meio ambiente como um todo.
        Além dos impactos ambientais do consumo da carne não pararem por aí, como bem demonstram os estudos a respeito, o seu consumo só aumenta, e a perspectiva é que daqui para 2030 dobre a quantidade da produção. Embora grande parte da população mundial não consuma produtos à base de carne nem laticínios, à medida que as condições socioeconômicas dos países aumentam a lógica é que a demanda por esse produto aumente, consequentemente, colocando em xeque os recursos ambientais da Terra. Será que não comemos carne para além das possibilidades do mundo?
          Para o ativista e ambientalista da União Protetora do Ambiente Natural – UPAN, Márcio Linck, “a ética ambiental deve romper com o antropocentrismo e encarar os desafios para além do ambientalismo. (…) Se a ética não atingir a dignidade e o respeito a todas as formas de vida, então ela é torpe e sem valor. Na atual conjuntura, não há como o discurso ambiental ser moralmente respeitado e aplicável e eticamente aceitável, se não incorporar a defesa do vegetarianismo e do veganismo”.

Fontes

Aluna: Isabela Andrade Coringa
       


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