O alerta da Organização
Mundial de Saúde sobre o malefício da carne em seu consumo excessivo para o
risco de contrair câncer, além de fazer as pessoas repensarem sobre hábitos
diários, nos fez relembrar que a questão do consumo da carne não afeta somente
a saúde das pessoas como também prejudica o meio ambiente em escala global,
porque praticamente todo o mundo consome carne, ainda que uns mais (bem mais)
que outros.
O El País deixa claro em sua matéria
sobre a Era da Carne: “são necessários 1.500 litros para produzir um quilo de
milho, 15.000 para um quilo de carne de vaca”. A superfície ocupada pelas
pastagens é tamanha, e sempre é tida baseada no desmatamento de florestas - 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do
planeta se devem à expansão da pecuária segundo a Conservation International - e queimadas constantes, que emitem dióxido de
carbono para a atmosfera, além de outras consequências (extinção de espécies,
limitação do hábitat das que sobrevivem, etc). Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
– INPA, 78% do desmatamento da Amazônia Brasileira se deve à pecuária.
Além das queimadas e do desmatamento, a
pecuária acarreta a erosão do solo, assoreamento dos recursos hídricos e sua
contaminação com pesticidas (mercúrio, fósforo, cloro, chumbo, arsênico e
outros) e dejetos provenientes dos hormônios, vacinas, antibióticos,
fungicidas, bactericidas e outros fármacos. Sem falar na desertificação,
extinção de espécies, chuva ácida e gases estufa (os gases liberados pela flatulência do gado tem grande
responsabilidade no efeito estufa, por exemplo).
O professor de ecologia da Universidade
Autônoma de Barcelona, Raúl García, afirma que a contaminação por purinas
(resíduos líquidos formado pela urina e fezes dos animais) tem graves
consequências para o solo e para as aguas subterrâneas.
O estudo da FAO aponta que 37% do gás
metano (que é 23 vezes mais poluente que o CO2) provém da pecuária, e aí entra
todo o processo digestivo dos bovinos; 65% do óxido nitroso NO2 (gases
provenientes do esterco) é gerado pela pecuária, sendo que esse gás é 296 vezes
mais nocivo que o CO2; e 64% da amônia, que contribui para a chuva ácida e
acidificação dos ecossistemas, provém da pecuária.
Em 2006, a Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO divulgou um relatório com mais de
400 páginas, intitulado A Grande Sombra dos Estoques Vivos, que aponta a
pecuária como responsável por 18% dos gases estufas, superando os 13% gerados
pela queima de combustíveis fósseis. No entanto, pouco vemos a grande mídia
falar disso e a maior parte dos documentários referentes às mudanças climáticas
e ao aquecimento global insiste em apenas mostrar cenas de chaminés saindo das
fábricas e da grande circulação de automóveis nos grandes centros urbanos,
justamente por ser o hábito de comer carne tão arraigado à nossa sociedade, que
talvez as pessoas não imaginem os riscos vinculados a isso e seja mais fácil
culpar fábricas e automóveis como poluentes, em vez de tentar uma
conscientização em massa e uma saída da zona de conforto que a curto e longo
prazo será benéfica à nossa saúde, e principalmente ao meio ambiente como um
todo.
Além dos impactos ambientais do consumo
da carne não pararem por aí, como bem demonstram os estudos a respeito, o seu
consumo só aumenta, e a perspectiva é que daqui para 2030 dobre a quantidade da
produção. Embora grande parte da população mundial não consuma produtos à base
de carne nem laticínios, à medida que as condições socioeconômicas dos países aumentam
a lógica é que a demanda por esse produto aumente, consequentemente, colocando
em xeque os recursos ambientais da Terra. Será que não comemos carne para além
das possibilidades do mundo?
Para o ativista e ambientalista da União Protetora do
Ambiente Natural – UPAN, Márcio Linck, “a ética ambiental deve romper com o
antropocentrismo e encarar os desafios para além do ambientalismo. (…) Se a ética
não
atingir a
dignidade e o respeito a
todas as
formas de vida, então
ela é torpe e sem valor. Na atual conjuntura, não há como o discurso ambiental
ser moralmente respeitado e aplicável e eticamente aceitável, se não incorporar a defesa do
vegetarianismo e do veganismo”.
Fontes
Aluna: Isabela Andrade Coringa

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